Como a inovação está transformando a experiência do paciente na saúde?
A discussão sobre inovação na saúde costuma começar pela tecnologia. Inteligência artificial, automação, interoperabilidade, prontuário eletrônico. Mas, na prática, o ponto central é outro: como tornar a jornada do paciente mais simples, segura e previsível.
No episódio “Inovação a serviço do paciente”, do InsightCast, Alex Julian, CIO do Hospital Sírio-Libanês; Henrique Beltrão, Head de Advanced Analytics da Dasa; e Luiz Renato, Diretor de TI e Inovação da Grupo Kora Saúde, apresentam uma análise estruturada sobre como tecnologia, dados e governança de processos vêm sendo aplicados para qualificar o acesso, reduzir fricções operacionais e apoiar decisões clínicas com maior consistência.
O debate mostra que o avanço da saúde digital passa por três pilares: experiência do paciente, qualidade assistencial e sustentabilidade do sistema.
Onde começa a experiência do paciente?
Ao contrário do que muitos pensam, a jornada não começa no hospital. Começa quando o paciente identifica a necessidade de atendimento. Pode ser ao tentar agendar um exame, confirmar cobertura do plano, buscar uma segunda opinião ou entender o preparo correto para um procedimento.
Durante o episódio, os convidados reforçam que reduzir atritos nesse percurso é o que gera percepção real de valor. Isso envolve:
- Agendamento digital simples
- Autorizações mais rápidas
- Integração com operadoras
- Acesso a resultados pelo celular
- Comunicação clara sobre exames e procedimentos
Quando estes pontos funcionam, o tempo de espera diminui e a ansiedade do paciente também.
Como a inteligência artificial está sendo aplicada?
A conversa traz exemplos concretos de uso de IA no ambiente hospitalar e laboratorial.
Henrique Beltrão, Head de Advanced Analytics da Dasa, apresentou avanços no uso de modelos para acelerar diagnósticos oncológicos, reduzindo o tempo entre coleta e laudo. Em situações clínicas críticas, os dias fazem diferença.
Na mesma linha de aplicação prática da tecnologia, Henrique citou a leitura automatizada de pedidos médicos manuscritos por meio de OCR (Optical Character Recognition). A iniciativa reduz falhas de interpretação causadas por caligrafias pouco legíveis e torna o processo de agendamento mais ágil e seguro para o paciente.
Alex Julian, CIO do Hospital Sírio-Libanês, também destacou o uso de LLMs (Large Language Models) conversacionais para apoiar médicos na consulta a protocolos clínicos estruturados. A ferramenta não substitui decisão médica, mas oferece suporte organizado, baseado em diretrizes consolidadas.
O impacto aparece na padronização do cuidado e na agilidade da análise.
Qual o desafio estrutural dos dados na saúde?
Um ponto recorrente do episódio é a fragmentação das bases de dados. Cadastros duplicados, ausência de identificador único, sistemas legados e falta de padronização histórica dificultam a integração.
Sem dados estruturados, qualquer projeto de IA opera com limitações.
A interoperabilidade surge como caminho inevitável. Compartilhar informações com segurança evita repetição de exames, reduz custos e melhora continuidade do cuidado. A lógica é semelhante ao movimento do Open Banking, adaptado à realidade da saúde.
Sustentabilidade financeira e experiência do paciente caminham juntas quando há integração.
A experiência do profissional influencia o paciente
Outro aspecto relevante foi o impacto da tecnologia na rotina médica. Como relatou Luiz Renato, Diretor de TI e Inovação do Grupo Kora Saúde, um dos exemplos citados envolveu o alto número de cliques necessários para uma simples prescrição.
Sistemas mal desenhados aumentam o desgaste e reduzem o tempo de interação com o paciente.
Quando automação e organização de processos são aplicadas corretamente, o médico recupera tempo para análise clínica e conversa qualificada. Isso reflete diretamente na qualidade assistencial.
O que diferencia projetos que funcionam?
A discussão aponta que tecnologia não é o principal obstáculo. Cultura organizacional, governança de dados e alinhamento entre áreas são fatores determinantes.
Projetos que geram resultado compartilham características comuns:
- Clareza de objetivo
- Base de dados organizada
- Testes controlados antes de escalar
- Integração entre áreas clínicas e técnicas
- Patrocínio da liderança
Inovação aplicada à saúde exige coordenação entre múltiplos atores, incluindo operadoras, hospitais e laboratórios.
Quer assistir o episódio completo?
Ouvir no Spotify – InsightCast – Inovação a serviço do paciente #12