Como a tecnologia virou vantagem competitiva na V1?
Ter tecnologia não é o mesmo que construir vantagem competitiva com ela. Veja como a V1 fez essa transição na prática.
Como mostra a trajetória da V1, transformar tecnologia em diferencial competitivo exige muito mais do que adotar as ferramentas certas, exige uma cultura que coloca o cliente no centro de cada decisão e testa antes de investir.
Neste artigo, você vai entender como a V1 construiu um produto de mobilidade a partir de uma dor real do negócio e o que essa jornada ensina sobre o papel estratégico da tecnologia dentro de uma empresa.
O que acontece quando tecnologia e negócio não falam a mesma língua?
Quando tecnologia e negócio operam em planos separados, o impacto vai além de processos mal estruturados, ele compromete a experiência do cliente, gera retrabalho e impede que a empresa escale com consistência.
Esse conflito é mais comum do que parece, principalmente em empresas que cresceram com modelos tradicionais e precisam se reinventar sem perder o que já funciona.
Como destacou Raphael Leitão, Head of Technology and Innovation da V1, durante o episódio do InsightCast:
“A gente não entra numa sala e sai criando coisas da cabeça. Isso não é inovação, é invenção. A gente sempre foi olhar qual é a dor nossa, qual é o problema que a gente precisa resolver.”
O desafio, portanto, não é escolher entre inovar ou manter a operação, é construir uma cultura que faça os dois ao mesmo tempo.
Como a V1 transformou uma limitação do produto em uma nova frente de serviço?
Tratar o feedback do cliente como dado estratégico é o que separa empresas que apenas melhoram produtos daquelas que criam novos negócios a partir deles.
Na V1, parte dos clientes encontrava dificuldade no uso do aplicativo, especialmente pessoas de mais idade que valorizavam o serviço, mas sentiam atrito no processo de pedido. Em vez de simplificar a interface, a empresa eliminou o aplicativo da equação e levou o serviço para onde o cliente já estava.
O resultado foi um serviço de motorista sob demanda operado via WhatsApp, com inteligência artificial embarcada que interpreta pedidos por texto ou voz, reconhece o perfil do cliente e entrega o serviço no padrão de qualidade da operação presencial.
Como testar rápido sem comprometer a estabilidade da operação?
Escalar sem processo é um dos erros mais caros que uma empresa pode cometer. A V1 aprendeu isso cedo, e estruturou uma abordagem de validação que protege tanto a experiência do cliente quanto a saúde financeira do negócio.
Na prática, o V1 Prime passou dois meses em operação piloto sem cobrar nada, sem aplicativo, apenas com uma pessoa operando os pedidos manualmente, para validar se a proposta de valor era real antes de qualquer investimento em tecnologia.
Como reforçou Raphael durante o episódio:
“Colocar tecnologia onde não existe processo é escalar o caos. Você se seduz pela velocidade, a coisa começa a crescer e você tem que refazer tudo. Isso vai custar muito caro e vai impactar a experiência do cliente na ponta.”
Esse modelo foi o mesmo aplicado no lançamento do V1 original em 2017 e continua sendo a base de qualquer novo produto ou funcionalidade.
Qual o papel dos dados nesse processo?
Na V1, conhecer o cliente não é uma prática de marketing, é um fator operacional que define desde a oferta de serviço até o tipo de abordagem no pós-atendimento.
Foi a análise do perfil dos clientes que identificou mães com filhos pequenos como um público com objeção específica no processo de venda, a ausência de cadeirinha homologada. A solução foi comprar as cadeirinhas, mapear quais clientes tinham filhos e oferecer o serviço já com essa necessidade resolvida, sem que o cliente precisasse pedir.
Como destacou Raphael no episódio, o risco do caminho oposto é real: acumular dados sem clareza de objetivo é gastar tempo e recurso sem gerar informação útil.
Transforme tecnologia em vantagem competitiva
Construir vantagem competitiva com tecnologia não é uma questão de orçamento ou de adotar as ferramentas mais modernas. É uma questão de cultura, de como a empresa escuta o cliente, valida hipóteses e toma decisões orientadas por dados antes de escalar.
Um exemplo que ilustra bem essa mentalidade vem do próprio Raphael Leitão, que acompanhou de perto as primeiras corridas de pessoa física no V1. Quando os motoristas começaram a sair com guarda-chuva na chuva para receber os passageiros, ninguém tinha pedido isso, era o padrão de serviço que o time tinha construído.
Isso reforça que inovar com consistência exige integração entre tecnologia, operação e uma liderança comprometida com o resultado do cliente, não apenas com a entrega técnica.